Jurassic Park e Jurassic World: separados por 65 milhões de anos de evolução?

Jurassic Park e Jurassic World: separados por 65 milhões de anos de evolução?

Quais são as semelhanças e diferenças entre a obra de Spielberg e o novo filme da franquia?

Idealizado e concebido pelo médico e escritor Michael Crichton, a história de Jurassic Park começava a engatinhar já no início dos anos 80. A evolução da bioengenharia, da manipulação genética e da constante corrida tecnológica fez um elo improvável com um passado há muito distante com a Era Mesozóica: A Era dos Dinossauros! Unindo a ideia da evolução bio-tecnologica com o ressurgimento de animais do passado surgiu o best-seller Jurassic Park, uma aventura que levou 65 milhões de anos pra ser feita!

Inicialmente concebido para ser um livro de volume único, a história logo ganhou proporções inimagináveis, com a adaptação ao cinema feira por ninguém menos que o talentosíssimo diretor Steven Spielberg. Como um universo em constante expansão, Jurassic Park logo ganhou mais episódios, tanto na literatura, quanto nos cinemas. Por mais que pareça haver um abismo entre as duas artes, há muitos pontos em comum, tanto nos livros quanto nos filmes.

E mesmo dentro do universo cinematográfico, Jurassic Park também tem suas nuances e características únicas em cada episódio lançado. Falaremos um pouco dessas diferenças dentro desse universo.

Como é sabido por todos, a franquia “voltou da extinção” em 2015, com o início da nova trilogia Jurassic World.
Direta continuação da história de 1993 pra uns, uma história com vida própria dentro do universo jurássico para outros, Jurassic World divide gostos e opiniões entre público, fãs, e comunidade científica. E sem a pretensão de criar qualquer tipo de desavença ou discussão, trataremos de algumas dessas diferenças marcantes.

A primeira trilogia, ou ao menos os primeiros dois filmes da franquia (Já que Jurassic Park III não contou com a direção de Spielberg, mas com a de Joe Johnston, nem com Crichton como roteirista) são baseados firmemente nos best-sellers de Michael Crichton: Jurassic Park e Mundo Perdido.

Com um clima inigualável que somente Spielberg é capaz proporcionar, Jurassic Park nos transporta para um thriller científico de suspense e ficção, onde ciência e tecnologia foram utilizados para trazer à vida animais extintos e utilizá-los como entretenimento. Claramente a ideia não deu certo, e o caos, (tão enfaticamente premeditado pelo personagem Malcolm) se instaura, com animais fora de controle, sistemas humanos e tecnológicos falhando, e vidas sendo ceifadas.
A primeira trilogia Jurassic Park conta o início de tudo, a idealização de John Hammond, a criação dos animais, a estruturação de diferentes ilhas, a Isla Nublar utilizada para exposição dos animais, e a Isla Sorna para criação e manipulação genética, até a queda e abandono por parte da multinacional de engenharia genética InGen, com os dinossauros sendo abandonados à própria sorte.

Portões de Jurassic Park e Jurassic World

Dirigido por Colin Trevorrow, Jurassic World se passa quase duas décadas depois dos acontecimentos da primeira trilogia (o que pareceu ser 65 milhões de anos!). Enquanto Jurassic Park pode ser considerado como um thriller científico de suspense e ficção, Jurassic World tem um tom mais aventuresco e de ação. Sua narrativa se dá à partir da aquisição da falida empresa InGen pela multinacional Masrani Global, bem como toda sua estrutura e tecnologia. Tendo como CEO o executivo indiano Simon Masrani, o parque é reaberto como “Jurassic World” na mesma ilha onde antes fora o Jurassic Park. Mas a exibição de animais pré-históricos não é algo novo na franquia, então pela primeira vez é introduzida a ideia de dinossauros hibridizados geneticamente, e com a sua aplicação não só como entretenimento, mas para outros fins, como militares. Com a nova ideia dos híbridos, também foi levantada a discussão de até onde se pode ir em nome da ciência, com manipulações genéticas indiscriminadas.

Enquanto Jurassic Park reconstrói os dinossauros por meio de robôs animatrônicos extraordinários de Stan Winston e por meio de computação gráfica pioneira na época, Jurassic World aposta mais no uso do CGI, que por mais perfeito que fosse em muitas partes, gerou críticas por parte de alguns fãs, que sentiram falta do fator realístico dos filmes anteriores. Fato este corrigido em Reino Ameaçado, onde a Universal Studios voltou a utilizar animatrônicos, desta vez feitos com maestria pela equipe de Neal Scanlan.

Com respeito à trilha sonora, Jurassic Park e o Mundo Perdido contaram com a honra de serem orquestrados por ninguém menos que John Williams, gênio criativo responsável pela maioria das trilhas sonoras consagradas como; Indiana Jones, Tubarão, Superman, Esqueceram de Mim, Harry Potter, entre outras. John Williams nos envolve num total clima de suspense, pânico e explosões de melodia nos momentos mais icônicos da franquia. Jurassic Park III conta com a trilha sonora de Don Davis, responsável pelas trilhas sonoras de Matrix. Mesmo não podendo contar com total liberdade criativa, pois devia seguir os padrões musicais e moldes já estabelecidos por John Williams para a franquia, Dom Davis entregou um trabalho musical incrível para o terceiro filme.

Já Jurassic World e Reino Ameaçado contam com as trilhas sonoras compostas pela mente criativa de Michael Giacchino. Responsável por grandes trilhas sonoras como: Lost, Missão Impossível III, Os Incríveis, Star Trek e a nova trilogia de Planeta dos Macacos, Giacchino assume seu posto jurássico nos novos filmes da franquia.
Com maior liberdade criativa e sem o pesado fardo de ter que basear totalmente na obra de John Williams, (embora Giacchino por vezes faça grandes referências à trilha original e nos transporte de volta ao antigo Jurassic Park em diversos momentos) Michael Giacchino nos envolve com um clima mais aventureiro. Em alguns momentos remetendo à infância, como no tema principal de Jurassic World, em outros nos fazendo mergulhar num clima mais melancólico, como em Reino Ameaçado, Giacchino veste totalmente a camisa da franquia, o que é engraçado, pois em um de seus primeiros trabalhos, ele foi responsável pela maravilhosa trilha do jogo The Lost World para PlayStation 1 e Sega Saturn (lembrando que este jogo foi o primeiro a ter uma trilha sonora especialmente composta para o game).

Longe da ideia de esgotar o assunto (por maior que tenha sido o texto) são nítidas as semelhanças entre Jurassic Park e Jurassic World. Também são nítidas as diferenças! Nos resta aguardar ansiosamente pelo próximo episódio de Jurassic World 3 (ou Jurassic Park 6) previsto para junho de 2021. Até lá… a vida encontra um meio!

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