Um ótimo mapa para os fãs dos livros de Jurassic Park

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Esse mapa regional feito por fã mostra a posição da Ilha Nublar, da Ilha Sorna e de muitos outros locais mencionados nos dois livros de Crichton

Um dos administradores do Jurassic Park 4.4 fez, em 2011, um mapa regional que mostra a posição geográfica das ilhas onde ocorrem a história de Jurassic Park e Mundo Perdido, livros de Michael Crichton que originaram a franquia Jurassic do cinema.

Foi um trabalho de pesquisa exaustiva, todos os pormenores dos livros foram analisados para que o mapa fosse o mais fiel possível às descrições do autor. Uma das coisas que mais chama a atenção é como a Isla Sorna é próxima do continente, e isso provavelmente justifica o aparecimento das “formas aberrantes” na Costa Rica, que vemos na história.

Veja a seguir alguns detalhes sobre a elaboração do mapa e a razão das ilhas e demais localidades estarem posicionadas onde aparecem no mapa.

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Isla Nublar

O primeiro problema a ser solucionado é a posição da Isla Nublar. Se pensarmos que o helicóptero com os personagens do primeiro livro foi direto para o oeste, de San Jose para Nublar, ele nunca poderia chegar à ilha em 40 minutos (capítulo “Isla Nublar”), como descrito no romance Jurassic Park. A velocidade média de um helicóptero é de 200 km/h (125 mi/h). A essa velocidade, em 40 minutos eles podem viajar apenas 133 km (83 mi). O helicóptero teria que ser mais rápido, porque a ilha estava a 100 milhas (ou mais) a oeste do litoral e a cidade de San Jose dista de 175 km (a leste) até esta mesma costa, então e podemos concluir que a ilha estava a pelo menos 335 km (209 mi) de San Jose. Para fazer essa distância em 40 minutos, o helicóptero deve voar a 502 km/h (312 mi/h), mas o recorde mundial de velocidade para helicópteros é de 400 km/h (249 mi/h; de John Egginton, em 1986). A distância é muito longa para um helicóptero viajar em 40 minutos. Isso me faz pensar que o helicóptero não foi direto para o oeste.

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O helicóptero deixou San José indo para o oeste (como colocado no romance) e passou pela “Reserva Cabo Blanco”. Então ele deve virar para o sudoeste ao cruzar o Golfo de Nicoya para alcançar a reserva. Nesse caso, imaginando uma trajetória para sudoeste, a ilha fica a 100 milhas do continente, mas a apenas 40 milhas da península. San Jose estaria a 215 km da ilha. O helicóptero precisaria desenvolver apenas 322 km/h (200 mi/h) para chegar em 40 minutos. Há helicópteros que podem voar nessa velocidade, apesar que a velocidade média de helicópteros é entre 200 km/h e 280 km/h.

Então acreditamos que quando os personagens disseram “a ilha fica a 100 milhas (ou mais) da costa”, eles queriam dizer 100 milhas de barco até Puntarenas. Porque, sob essa ótica, a distância entre San Jose e a ilha pode ser atravessada por um helicóptero em 40 minutos.

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Outro aspecto é que a Nublar é parte de um arco oceânico ou formada por uma pluma mantélica (hot spot)? Os arcos de ilha são formados próximos à convergência de placas tectônicas oceânicas. Na costa oeste da Costa Rica, há a convergência das placas oceânicas de Cocos e do Caribe. O arco é formado sobre a placa superior, a alguma distância da trincheira, paralela a ela. Não podemos colocar a ilha Nublar na placa do Caribe porque ficaria muito perto do continente. Então posicionamos na placa Cocos, perto da trincheira, assim a ilha não teria a ver com o contato das placas. E então, logicamente, trazer a Nublar para Cocos faz dela uma ilha formada por pluma mantélica (as outras ilhas da cadeia já foram subductadas na trincheira da América Central, já que o movimento da placa Cocos é para nordeste).

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Problemas:

1 – Crichton não mencionou que eles cruzaram o Golfo de Nicoya quando iam para Nublar. Ele escreveu que eles voaram sobre o continente (montanhas) e depois disso, o oceano.

2 – A nossa maneira de descrever exige que a Bahia Anasco esteja dentro da reserva de Cabo Blanco, na costa sul da reserva. Mas, se for verdade, eles já estarão sobrevoando o oceano (ou a costa) antes de chegar à Bahia Anasco. O romance diz que eles estavam por todo o continente quando viram a Bahia Anasco e, depois que entraram para o oceano. Talvez Crichton não considerasse o golfo como parte do oceano.

Las Cinco Muertes

O segundo livro diz que existem muitas ilhas na Costa Rica, especialmente na costa oeste (capítulo “San José”). As ilhas de Talamanca e Morazan são fictícias, por isso as criamos no Mar do Caribe e na costa norte, como descrito no romance.

As ilhas Las Cinco Muertes ficavam a vários quilômetros de distância entre si e estavam a distâncias variadas da costa (capítulo “Costa Rica”). Elas estão espalhados em um arco, a cerca de 15 quilômetros da baía de Puerto Cortés (capítulo “As cinco mortes”). Sobre o formato das ilhas individuais, nós pegamos as formas das ilhas do filme O Mundo Perdido, porque pegar da própria franquia é melhor do que criar novas formas.

E o contexto geológico de Las Cinco Muertes? Crichton escreveu no romance que é um arco de ilha. É a nordeste da Trincheira Centro-Americana, por isso está localizado no local onde um arco de ilha se formaria naturalmente.  Um arco de ilhas oceânicas formado neste local teria ilhas alinhadas na direção noroeste-sudeste, sendo paralelas à trincheira. Mas as ilhas do livro se alinham de norte a sul, seguindo de alguma forma a costa continental. A maneira que encontramos para corrigir este problema sem alterar as localizações das ilhas foi criar mais ilhas alinhadas ao grupo Las Cinco Muertes, na direção noroeste-sudeste. Crichton escreveu que a costa oeste da Costa Rica tem muitas ilhas e foram inspecionadas pelo governo da Costa Rica quando procuravam “formas aberrantes” que apareciam nas praias e nas florestas. Isso sempre nos incomodou porque não vemos muitas ilhas lá. Sentimos que devemos adicionar mais. Assim, podemos adicionar mais ilhas fictícias para nos sentirmos  melhor e também para fazer com que o grupo Las Cinco Muertes se alinhe com essas ilhas fictícias em uma direção paralela à trincheira. Criamos seis ilhas para compor um arco de ilha oceânica: Humos, del Pesar, Calavera, del Sol, Micaela e Gemelas.

O formato da Isla Sorna veio do próprio livro, onde um mapa da ilha é impresso. Em relação ao tamanho da Sorna, o mapa do livro não possui uma barra de escala. Sabemos que tinha “milhas” de largura (capítulo “O Mundo Perdido”) e a estrada serpenteava “vários quilômetros” pelo interior da ilha, antes de finalmente chegar à vila (capítulo “O Fluxo”). Os personagens dirigiram por pouco mais de oito quilômetros do ponto de pouso até a bifurcação que leva ao pântano ou à estrada do penhasco (capítulo “A Estrada”). Sabemos também que do Esconderijo Alto para o Trailers haviam três milhas de distância, talvez mais (capítulo “Trailer # 3”). Consideramos esta última distância como 3,5 milhas e a usamos para calcular a escala da Sorna.

Guitierrez trabalha na Reserva Biológica Carara (capítulo “Formas Aberrantes”), e este é um lugar real. A região de Rojas não existe e é descrita como estando a 50 milhas da fronteira com o Panamá (capítulo “formas aberrantes”), por isso é identificada no mapa como outro nome para a Península de Osa, adjacente ao Golfo Dulce. A 50 milhas da fronteira há a praia fictícia de Juan Fernández, onde os restos de um dinossauro foi encontrado na praia (capítulo “formas aberrantes”). Esta praia poderia estar perto da cidade de Carate, se considerarmos a distância até a fronteira nos arredores de Paya Bonita, no extremo sul da Costa Rica. Nós preferimos considerar a distância de 50 milhas a partir da região de Los Plancitos, porque desta forma o local de Juan Fernández fica dentro da Bahia de Coronado, nos arredores de Drake Bay, perto de Las Cinco Muertes e, portanto, mais perto do local original de onde o corpo do dinossauro veio, o Sítio B.

Já na Sorna, o helicóptero se aproximou do oeste, movendo-se sobre as falésias rochosas para revelar o interior da ilha. O helicóptero seguiu para sul, circulando a área central da ilha, desceu em direção à selva (capítulo “Costa Rica”) e pousou no local indicado no mapa do livro.

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