As diferentes faces de Jurassic Park

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Ao longo dos anos, várias versões de Jurassic Park foram lançadas para o público. Apenas os mais atentos notam as diferenças. Veja quais são as principais.

O primeiro filme Jurassic foi exibido nos cinemas em 1993. Sua projeção foi feita nos moldes da época, por película com imagem na proporção 1,85:1. Esta proporção é uma das utilizadas em salas de exibição, em que temos a imagem larga típica das telas de cinema.

Em 24 de setembro de 1994 foi lançada no Brasil a versão para uso doméstico, em VHS, pela CIC Video. Nos EUA a fita somente foi lançada em 4 de outubro (veja a propaganda aqui, ó). Nesta época as videolocadoras estavam no auge e quase todos tinham um videocassete para assistir aos lançamentos em casa. Também nesta época, de forma bem discreta, começou a surgir o conceito de Home Theater e as pessoas gradativamente iniciaram o investimento em bons televisores e equipamentos de som para experimentar a sensação do cinema em suas casas.

O fato é que os televisores da época tinham um formato de tela diferente, na proporção 4:3. Esse formato só foi abandonado há pouco tempo e ainda vemos estes aparelhos em funcionamento. A imagem mais “quadrada” do televisor forçava o estúdio a criar uma versão alternativa do filme que se encaixasse na tela da TV. Há duas formas de fazer isso.

Aviso VHS EUA 1994
Este aviso informa o espectador que o formato original de cinema foi alterado para se encaixar na tela de TV. A imagem acima aparecia no VHS da versão estadunidense de Jurassic Park (veja aqui, ó). Raramente ele era incluído nas fitas brasileiras.

Uma é ajustar a imagem do filme na vertical e recortar as laterais da imagem original do cinema. Neste caso se perde a parte da imagem que fica nas laterais da tela. E os profissionais que fazem a conversão podem deslizar a imagem da TV para a direita ou esquerda para capturar o foco principal da cena, como um ator, por exemplo.

Cinema para VHS1

Recorte das laterais da imagem de cinema para adequação ao formato da tela da TV.

A outra é ajustar a imagem na horizontal e expandir a imagem na vertical, incluindo imagem acima e abaixo do que foi visto no cinema para preencher os vazios da imagem da TV. Esse método foi adotado a partir do momento em que as câmeras de cinema foram preparadas para gravar esta “imagem a mais”, já com a intenção de incluí-las na versão de TV.

Cinema para VHS2

Adição de imagem no VHS em cenas sem CGI, para preencher a imagem quadrada da TV.

No caso de Jurassic Park, as duas técnicas foram utilizadas. Em cenas gravadas sem efeitos especiais, ou apenas com animatrônicos, a imagem de cinema foi ajustada na horizontal e temos um campo mais amplo nas partes de cima e de baixo da tela. Isso é interessante para os fãs que procuram por objetos de cena, detalhes de cenografia, etc.

Mas nas cenas com CGI, como o efeito foi produzido para a imagem larga do cinema, não há imagem disponível no topo e base da tela. Então nestes caso adotou-se o método de ajustar a imagem na vertical e recortar as laterais. Isso é ruim porque se perde parte da imagem, e isso acontece nas cenas com dinossauros digitais, que estão entre as mais admiradas. Mas não houve outra forma de fazer a conversão.

Vale lembrar que as gerações que cresceram vendo Jurassic Park na TV aberta sempre assistiram à versão do VHS, com suas alterações de recorte. Apenas após o advento da TV digital (que é bastante recente) que os canais passaram a transmitir o filme em seu formato original de cinema.

Na mesma data de lançamento do VHS nos EUA, o Laserdisc foi colocado a venda, trazendo a novidade do áudio estéreo digital (você sabia que Jurassic Park foi o primeiro filme a ser exibido nos cinemas com som digital?). Este disco foi criado com a tela original de cinema, na proporção 1,85:1, no formato chamado “letterboxed“, que tinha tarjas pretas no topo e base da imagem. Isso era frustrante para alguns espectadores, porque dava a eles a sensação de perda de imagem. Mas os entendidos sabiam que esta imagem era a mesma do cinema, e condizente com as intenções originais de Spielberg e do diretor de fotografia.

Apenas em 10 de outubro de 2000 foi lançada a primeira edição em DVD, exatamente com as mesmas características visuais do Laserdisc. Até então o VHS, o Laserdisc e o DVD vinham com o mesmo padrão de cores e contraste. Nenhuma mudança havia sido feita nas características da imagem. As únicas diferenças do DVD em relação aos anteriores se limitavam à disponibilidade de dublagem, legendas e audio 5.1.

Mas não foi assim com o lançamento do Blu-ray em 25 de outubro de 2011. Esta nova mídia trouxe o filme para o formato full-hd (1080p) e os fãs estavam ansiosos para desfrutar do filme em alta resolução. O que notamos é que esta versão trouxe alterações nas imagens. O aspecto 1,85:1, original de cinema, foi mantido, mas a imagem do Blu-ray tinha nitidamente mais contraste e cores mais vibrantes, destoando um pouco em relação às mídias anteriores. Há cenas em que os objetos parecem “coloridos e brilhantes demais”. A alta definição também trouxe à tona certos defeitos da imagem original, como efeitos de grãos e “sujeiras” na tela. No entanto, os efeitos em CGI se sustentaram muito bem em alta definição, bem como os animatrônicos de Stan Winston, que surgem em sua plenitude, (quase) sempre com incrível realismo.

Em 23 de abril de 2013 o Blu-ray 3D é liberado para venda nas lojas. Esta foi a edição que mais se diferenciou das demais. Além da óbvia conversão para o formato 3D, que distorce certos elementos em tela – aumenta o volume de alguns (próximos) e diminui o volume de outros (distantes) -, muitas outras diferenças foram notadas. Primeiro, todas aquelas granulações e defeitos percebidos no Blu-ray bidimensional foram removidos. Isso é muito bom, e foi necessário para a conversão em 3D porque a sujeira atrapalharia a experiência com a terceira dimensão. Depois, notamos uma forte alteração no padrão de cores: tudo ficou escuro e com um tom quente, com cores alaranjadas, amareladas e amarronzadas. O céu ficou marrom. Isso incomodou vários fãs.

E ainda houve intervenções diretas nesta última versão. Objetos da produção, que indevidamente apareciam na imagem – como os fios que abrem a gola do Dilophosaurus e o par vaso-holofote da cena do ataque da Rexy – foram simplesmente apagados do filme. Foi uma espécie de “correção de erros”. Isso é uma questão polêmica, os puristas não gostam, outros não se importam.

Veja abaixo uma comparação em detalhes da versão Blu-ray plano com a versão Blu-ray 3D.

Concluindo, há pelo menos cinco diferentes faces de Jurassic Park, são estas versões:

  • – A do cinema, em película
  • – A do VHS, com proporção diferente e imagens adicionadas ou suprimidas
  • – A do Laserdisc e DVD, fiel à de cinema
  • – A do Blu-ray, mais brilhante e colorida
  • – A do Blu-ray 3D, escura, quente, limpa e com intervenções pontuais

comparacao total

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