Roteirista David Koepp fala sobre escrever Jurassic Park

David Koepp - Mundo Perdido

Em entrevista de divulgação de seu novo trabalho, Inferno, David Koepp responde perguntas sobre Jurassic Park e Jurassic World.

Jurassic Park, O Mundo Perdido, Homem Aranha 2, Inferno… são alguns dos trabalhos do roteirista, e só por esta pequena lista podemos perceber que ele é um nome de peso na indústria.

Em entrevista de divulgação de seu mais recente trabalho, Inferno, adaptação do sucesso literário de Dan Brown, David Koepp conta um pouco do processo de ter trabalhado com a primeira versão do roteiro de Jurassic Park escrito por Michael Crichton.

Acompanhe alguns trechos da entrevista para a revista Collider.

COLLIDER: Quando você estava envolvido com o filme, você tinha alguma ideia de que seria um sucesso monstruoso?

KOEPP: Não, não. Na verdade, a questão era se funcionaria, porque era 1992 quando foi feito e 1993 quando estreou, era PG (Parental Guidance Suggested, crianças apenas acompanhadas dos pais), e não havia como dizer como seria.

E eu lembro que houve um teste que a ILM fez, eu vi um teste um dia e era apenas o esqueleto de um Velociraptor correndo e não havia musculatura ou pele ainda. Mas apenas olhando para o esqueleto correndo, havia uma tal fluidez e uma realidade que me fez pensar “Oh, isso pode funcionar”. Mas mesmo assim, mesmo durante a criação, você não sabe se vai dar certo ou não.

Você nunca sabe se algum filme vai funcionar ou não, mas este em particular, tinha algo que nunca havia sido tentado. Então, obviamente, você começa a perceber que… “Oh, isso realmente vai funcionar. Isso parece ótimo, espero que as pessoas gostem”.

Mas durante a produção nem sequer sabemos como ele ia ser feito, mas se Steven não tivesse sentido que os dinossauros ficariam realistas ele não teria feito.

t-rex bones, jurassic park

COLLIDER: Você mencionou anteriormente que não trabalhou com Michael [Crichton], eu estava com a impressão de que você tivesse trabalhado com Michael no roteiro e na história. Então, você trabalhou com ele?

KOEPP: Ele escreveu um rascunho antes de eu entrar para o projeto, e então uma ou duas pessoas tentaram [mexer no texto] e então eu entrei.

COLLIDER: Com o rascunho de Michael e o que quer que essas outras pessoas tenham feito, você foi chamado para reescrever desde a primeira página?

KOEPP: Sim.

COLLIDER: Oh, sim.

KOEPP: Sim, eu revi tudo.

COLLIDER: Havia algo no projeto de Crichton – sem ser desrespeitoso – que funcionava diferente ou era um filme diferente que ele queria fazer?

KOEPP: Foi um filme diferente. Havia ideias… eu não li as dele até que eu tivesse escrito meu rascunho e haveria um debate. Ele tinha algumas ideias – e isso ocorre com frequência – que Steven [Spielberg] queria que fossem trabalhadas. O elo era o conjunto de ideias que Steven queria que fosse transmitido. Acho que é muito difícil para um romancista adaptar seu próprio livro, e isso é o que faz Gone Girl ainda mais impressionante. Você passa um par de anos com ele, e depois de passar esse tempo o vendo de uma certa maneira você realmente tem que ser implacável, desmontá-lo e olhar para ele de outros ângulos, e ainda assim preservá-lo. Isso é realmente muito, muito difícil de fazer.

COLLIDER: Quando você estava escrevendo esse roteiro e trabalhando nessa história, como você mencionou, a tecnologia na época era uma coisa completamente diferente. Então como foi escrever algo sem saber se o que você estava escrevendo poderia mesmo virar um filme?

KOEPP: Isso remonta a uma pergunta anterior que você fez sobre os limites de orçamento. E eu lembro que esta foi a primeira vez que tive essa conversa. Escrevi um trecho em um de meus primeiros rascunhos que dizia: “O T. rex explode das árvores, persegue o Gallimimus e o devora em uma nuvem de poeira e sangue”. Eu pensei: “Bem, eu amo esse trecho, e eu adoraria ver isso”. Mas eu perguntei a Steven: “Isso parece impossível para mim, devo tirar do texto? Devo fazê-lo de outra maneira? Quais são minhas limitações?” e ele disse ” Sua imaginação, esse é o único limite que você tem. Nós iremos descobrir uma forma de fazer”. Mas eu sabia que o verdadeiro desafio era a corrida. Nos filmes, se você ver um dinossauro e seus pés estão no chão, é provavelmente um boneco ou uma das criações de Stan Winston. Se você vê as pernas e ele está andando, então é CG, mas era isso que ninguém sabia se iria funcionar ou não. Muito menos correndo para fora da vegetação e devorando outro dinossauro em uma perseguição.

2015-05-11 Meter a agulha

COLLIDER: Eu nem consigo imaginar você tentando escrever isso tudo. Muitas pessoas não percebem que havia efeitos práticos, CG, fumaça e espelhos, que o filme foi feito empurrando os limites de tudo.

KOEPP: Jurassic Park e o Exterminador do Futuro 2 foram os Jazz Singer da era CG.

COLLIDER: Você trabalhou com Spielberg várias vezes, incluindo agora. Ele mudou ao longo de sua carreira ou ele ainda é o cara com quem você trabalhou em Jurassic Park?

KOEPP: Isso foi há cerca de 23 anos, então nós dois envelhecemos. Mas, não, ele ainda é o mesmo cara, no sentido que a diversão é fazer os filmes, essa é a melhor parte. Reescrever… eu posso pegar ou largar, mas elaborar e história faz parte da dança. E o que é bom sobre Steven é que ele realmente chuta a história como se o mundo estivesse vivo e cheio de possibilidades, ao invés da forma como muitas pessoas vêem como tudo tão confuso e plano. Há dois tipos de colaboradores, os que dizem que algo não dará certo e aqueles que tentam fazer coisas realmente funcionarem. E ele vai correr com quase qualquer ideia que você jogar, você pode correr com ele e então perceber que não é tão difícil. Ele é um inventor muito positivo, e um colaborador construtivo em vez destrutivo.

COLLIDER: Eu preciso perguntar, você assistiu Jurassic World, e qual a sua opinião?

KOEPP: Eu assisti, e eu achei que foi muito divertido.

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David Koepp e Steven Spielberg no set de O Mundo Perdido

Fonte: Collider

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