Bomba! Há mais livros inéditos de Michael Crichton para ser publicados!

Michael Crichton

Investigamos entrevistas antigas com Michael Crichton e descobrimos que existem vários livros de sua autoria que ainda permanecem inéditos!

Após a morte do escritor em 2008, muitos de nós ficamos tristes, entre outros motivos, pelo fato de que não teríamos mais livros inéditos do autor. No fundo, sempre existiu uma esperança de que ele retornasse à franquia Jurassic e nos desse pelo menos mais um capítulo para sua brilhante história com dinossauros. Seu falecimento apagou esta esperança.

Um ano depois, vimos a publicação póstuma do livro Latitudes Piratas. E em 2011 seu manuscrito incompleto intitulado Micro, finalizado pelo escritor Richard Preston, foi levado às livrarias.

Latitudes Piratas e Micro

Latitudes Piratas e Micro, os dois livros póstumos de Crichton já lançados

OK, então tínhamos um livro engavetado que foi publicado e um livro em que o autor trabalhava em 2008 também teve o mesmo fim. Isso parecia indicar que os materiais aproveitáveis haviam sido explorados e para nós somente restava desfrutar das obras disponíveis e nos conformar com a futura ausência de novidades.

Até que, em 2016 vem a notícia de que teremos um outro livro completo, inédito, a ser publicado: Dentes de Dragão. E o melhor: a história tem temática de paleontologia! Estes anúncios sucessivos de publicações póstumas nos surpreenderam, e a partir daí o Jurassic Park 4.4 resolveu investigar qual volume de material ainda encontra-se guardado para publicação futura. O que semeou em nós o desejo de partir nesta busca foi uma frase presente no site oficial de Crichton, sobre a organização detentora das obras dele, a CrichtonSun, que se encontra sob a liderança de sua esposa, Sherri. A tal frase passou despercebida pela maior parte dos leitores:

About CrichtonSun LLC:

CrichtonSun is the home of the Michael Crichton Archives as well as the executive producing team of Sherri Crichton and Laurent Bouzereau. Michael Crichton re-defined science-fiction into science-fact. Michael left behind a gigantic legacy of novels, non-fiction work, speeches, films and TV series. The vast Michael Crichton library will continue to be explored, with many works that have yet to be seen.

Traduzindo:

Sobre a CrichtonSun LLC:

CrichtonSun é o lar do Michael Crichton Archives bem como a equipe de produção executiva de Sherri Crichton e Laurent Bouzereau. Michael Crichton redefiniu a ficção científica em fatos científicos. Michael nos deixou um legado gigantesco de livros, trabalhos de não-ficção, discursos, filmes e séries de TV. A vasta biblioteca de Michael Crichton continuará a ser explorada, com muitos trabalhos ainda a serem divulgados.

O Jurassic Park 4.4 partiu para a leitura de materiais antigos envolvendo Crichton em busca de alguma pista sobre que pode estar guardado no precioso “Crichton Archives”. O livro Álbum de Viagens já nos tinha dado a pista sobre a existência do livro Latitudes Piratas, então sua existência não foi uma surpresa para nós. Mas o que mais podemos descobrir?

As entrevistas com Crichton revelaram alguns detalhes interessantes. Mas ele era cuidadoso e não falava abertamente sobre o que estava produzindo ou sobre o que tinha finalizado mas não foi publicado. Até que encontramos uma entrevista em que ele deu uma declaração importante para nós.

Quando Larisa MacFarquhar entrevistou Crichton, em 1994, o objetivo era conhecer a história do famoso Robert Gottlieb, editor-chefe da Alfred A. Knopf. Ele trabalhou nesta editora de 1968 a 1987, favorecendo a publicação de uma “ficção popular superior” e não-ficções de grande impacto comercial. Independente do gênero, seu objetivo era publicar apenas os melhores livros, e, em particular, aqueles que o faziam se sentir pessoalmente exaltado.

Robert Gottlieb - editor Alfred A Knopf

Robert Gottlieb (fonte)

Gottlieb trabalhou na publicação de muitos livros de Crichton, começando por O Enigma de Andrômeda, e eles tinham uma relação estreita. Na entrevista publicada pela Paris Review, Crichton revela alguns detalhes dos bastidores com Gottlieb. O editor lia um manuscrito novo de Crichton e em seguida dava o seu parecer sobre a obra. O escritor deu a seguinte declaração para a entrevistadora:

“Occasionally Bob has said to me, The new book doesn’t work. Forget it. Which I have done. That has happened a few times. But it was in part a result of my method of working, which is to go off and tell nobody what I’m doing and write something; sometimes it would work and sometimes it wouldn’t. I guess because of my youth it didn’t seem so devastating. I just thought, Oh well, that didn’t work, I’ll go do something else. I don’t work that way anymore – I’m too old.”

Traduzindo:

“Ocasionalmente Bob disse para mim que o livro novo não funcionava. “Esqueça-o”. E era o que eu fazia. Isso aconteceu algumas vezes. Mas isso foi, em parte, uma consequência do meu método de trabalho, que consiste em ir adiante, contar a ninguém o que estou fazendo e simplesmente escrever; algumas vezes funcionava e em outras não. Creio que devido a minha idade ainda jovem, isso não me parecia tão devastador. Eu só pensava: “Tá bom, esse não deu certo, vou fazer outra coisa”. Eu não faço mais isso – estou velho demais.”

Crichton entregava um livro finalizado para Gottlieb e ele o negava. Livros finalizados! E “isso aconteceu algumas vezes”! Imaginando que o autor estava associado à editora de Gottlieb a partir de 1968 e em 1987 Gottlieb deixou a Knopf, temos um total de pelo menos 19 anos de parceria. Quantos livros “desagradáveis” para o editor Crichton pode ter escrito neste período? Acreditamos que seja uma quantidade razoável, principalmente se considerarmos que, em sua juventude, ele era um escritor obstinado.

Crichton revela que após chegar a uma idade de maturidade, provavelmente no fim dos anos 1980 ou início da década seguinte, abandonou este método de trabalho. Nos últimos anos persistia até o fim, trabalhava neles até que ficassem bons e os publicava, porque estava ficando velho e não poderia se dar ao luxo de abandonar meses (ou anos) de trabalho. É interessante notar que, primeiro, Latitudes Piratas foi escrito nos anos 1970, ou seja, dentro do período citado pelo autor (entre 1968-1987). Segundo, muitos de seus livros mais estimados pelos leitores estão dentro deste intervalo, seus temas são considerados mais originais e sua escrita menos mecânica. Isso é uma ótima notícia para quem quer ver boas histórias inéditas do autor.

E hoje temos a viúva de Crichton gerenciando a publicação de seus materiais. Aparentemente ela revela os arquivos do autor “a conta-gotas”, publicando um texto inédito a cada três anos, mais ou menos. Isso nos parece ser uma eficiente estratégia publicitária, para manter o escritor nas manchetes de imprensa sistematicamente e, também, para explorarem comercialmente ao máximo um produto antes de lançar o livro seguinte. Aliás, em termos comerciais a CrichtonSun é bastante eficaz, pois os direitos dos títulos Latitudes Piratas, Micro e até mesmo o inédito Dentes de Dragão já foram vendidos para estúdios de cinema e TV.

Nos parece que as estratégias comerciais adotadas para gerenciar os textos inéditos levam à sua lenta publicação. Para os fãs isso é bastante incômodo, pois queremos ter acesso o quanto antes a este material, que agora sabemos ser mais vasto do que imaginado inicialmente. Mas, fazer o quê? A nós só resta reler os livros antigos e ansiar pelo que lentamente é revelado.

EM TEMPO: Fizemos uma petição, em conjunto com nosso amigo Derrick ‘Scallenger’ Davis, para que fossem reveladas as anotações de Crichton sobre a elaboração de seus livros. Já imaginou como seria bacana ver um esboço de mapa da Isla Nublar feito pelo próprio autor? Ou aquela versão inicial de Jurassic Park sob o ponto de vista de uma criança? Pois é, dê uma força para nós, assine aqui, ó.

Michael Crichton

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