A criação da logomarca de Jurassic Park

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A concepção da logomarca que reconhecemos tão facilmente não foi tão fácil. Foi um longo e penoso processo de criação para os desenhistas.

Por trás da nossa tão querida logomarca, quatro nomes se destacam: Chip Kidd, Mike Salisbury, Tom Martin e Sandy Collora.

Chip Kidd é um famoso desenhista de capas de livros. Dele é a clássica capa dos livros Jurassic Park e The Lost World, de Michael Crichton, lançados em 1990 e 1995. Suas capas se tornaram tão emblemáticas que foram “aproveitadas” no desenho da logomarca do filme.

Mas a história não é tão simples. Apesar do esqueleto de Tyrannosaurus rex desenhado por Chip Kidd ter chamado a atenção dos desenhistas de produção de Jurassic Park, eles tentaram manter a mente aberta e testar outras concepções para representar o parque do filme.

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Mike Salisbury trabalhou em Apocalipse Now (1979), Guerra nas Estrelas (1977), Caça-Fantasmas (1984) e Dick Tracy (1990). Além de criar marcas para filmes, desenha para empresas.

Tom Martin, que tem em seu currículo filmes como Irmãos Gêmeos (1988), Um Príncipe em Nova Iorque (1988) e Babe (1995) tem seu trabalho focado no desenho de painéis de cinema. No caso de Jurassic, Spielberg solicitou que ele participasse da equipe que iria criar uma logomarca que servisse tanto como símbolo do parque fictício mostrado no filme como uma marca para a própria divulgação do filme. Ele recorda:

“Nós visitamos o sete de filmagens durante a produção e vimos alguns dos dinossauros e adereços. Ele teriam produtos em cena com a marca do parque, itens a venda na loja mostrada no filme. Eles precisavam de uma logomarca para colocar nas mercadorias da loja de souvenires.”

Mike Salisbury recorda-se que Steven Spielberg queria uma espécie de crachá, uma logomarca plana que pudesse ser reproduzida e aplicada nos produtos de forma barata. E também, como o símbolo aparece ao longo de todo o filme, que deveria ser altamente reconhecível, mesmo quando aparecesse no plano de fundo da imagem. Outro detalhe é que ele deveria parecer com um símbolo real, pois seria usado como marca do parque ficcional mostrado no filme. Mike desenvolve esta ideia:

“Consumidores podem não saber como perceber a qualidade do produto. Eles precisam de pistas visuais corretas. Comunicadores de mercado criados com uma mensagem-alvo podem ajudar os consumidores a perceber o contexto da forma correta. O mais importante de uma marca fictícia é que ela deve comunicar imediatamente [seu objetivo], uma vez que ela, por si só, não tem história ou associações para o espectador.”

Tom Martin lembra que, apesar de contar com a ajuda de seu grupo de criação da Universal, ele pôde usar agências externas para colaborar no processo e, caso a arte de alguma delas fosse a escolhida, elas ganhariam uma taxa para o uso no filme e em produtos licenciados. Ele acrescenta:

“Trabalhei com alguns profissionais e chegamos com um livro grosso cheio de logomarcas mas o estúdio não gostou de algo em particular. Eram centenas de logomarcas.”

Infelizmente a maior parte das artes desse livro ainda permanecem inéditas. Conseguimos algumas amostras, que seguem abaixo. Esperamos que o conjunto total seja divulgado ao grande público o quanto antes.

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Depois de explorar muitas imagens de dinossauros, Mike Salisbury recorda-se que voltaram ao esqueleto de Kidd, pois parecia para eles que este desenho teria um certo valor ao ser associável ao livro e era interessante por ser facilmente identificável.

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Tom Martin revela que adaptaram o desenho de Kidd em um círculo. Sobre este processo fase, ele recorda:

“Nós adicionamos aquele pequeno cenário de selva na parte de baixo para dar uma escala, pois o dinossauro poderia ter qualquer tamanho – poderia ser um bebê. A selva abaixo dele o fez parecer gigante. Essa foi a minha contribuição para fazer a logomarca funcionar.”

Logo tons de cinza

Em conjunto, Tom Martin acreditava que a logomarca precisava de mais do que apenas o esqueleto da capa do livro, então ele adicionou o nome do parque. Tom também se recorda que basearam o desenho das letras em um rascunho rápido, de poucos centímetros, que o desenhista de produção, Rick Carter, fez e os enviou. Mike Salisbury tem em seus arquivos os recortes de letra que ele criou para servir de base para a logomarca. Ele acha que essas letras não funcionam tão bem quando estão isoladas do símbolo.

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Desta forma, baseando na fonte Newland e nos recortes de Salisbury, Tom Martin adicionou seu toque pessoal ao incorporar as linhas no centro das letras, para dar a elas mais profundidade.

A versão final da logomarca foi feita à mão. Mike Salisbury fotocopiou as letras no tamanho adequado e as colou. Ele relembra:

“Então desenhamos o esqueleto do dinossauro, adicionamos as árvores e desenhamos o contorno. Uma fez finalizado, foi fotografada, escaneada traçada em gráfico vetorial, para poder ser facilmente redimensionada para várias aplicações no filme.”

Sandy Collora contribuiu para a arte de O Segredo do Abismo (1989), Predador 2 (1990), RoboCop 2 (1990), O Corvo (1994) e Homens de Preto (1997). Curiosamente, muito pouco se sabe a respeito de sua participação na elaboração da logomarca, apesar de seu nome ser sempre designado como o do criador da arte. Ele recebeu os créditos pela marca, mas sabemos que foi o trabalho conjunto de vários artistas.

Logotipo MEDIO

Já a versão que aparece no filme, em alto relevo, foi esculpida em espuma por Yarik Alfer.

Esculpido em espuma por Yarik Alfer

Agradecemos ao Felipe Humboldt pela indicação da matéria da Film Inutiae

Fontes: Medium, Film Inutiae e Lisa Garner

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